segunda-feira, 3 de maio de 2010

Not me at all.

Sonhando acordado, ou acordado sonhando
Pensando sem raciocinar, entendendo sem compreender
Intromete-se em meu momento, certa bola de papel
E tragicamente interrompe minha vã reflexão
Que, entretanto, não posso afirmar ser importante.

Com uma mescla de indignação e curiosidade
Só me resta enfrentar o inoportuno papel
E, de praxe, não é que me diz
Coisas de tão simples simplicidade
Que chega a ser indignante.

Depois de todos os empecilhos do pensamento
Dada a resposta certamente inútil
Recobro certa parte da consciência
Esta que conscientemente nunca tive
E acredito que nunca terei.

domingo, 25 de abril de 2010

Lembranças daquele tempo que passou.

Toda arte é imoral.
Todos seres normatizam a sua moral e fazem dela um escudo social.
Atravessamos portas cegas...
Quando vemos, já é tarde demais...
Não para os jovens, sempre tão irreverentes e ousados. Pena que estão velhos o suficiente para impor seus sonhos.
Seus pseudo-sonhos apoteóticos...
Cristalinos, nesse mundo de iguais
Nenhuma porta será aberta enquanto todos esconderem as chaves.
A secreta chave do individualismo, da mesquinharia, da exata noção “o que eu tenho a ver com isso?”.
E o que me interessa tuas dores? Existo dor maior ou menor. Existe dor.
Não, ainda não acabou. Somos frutos da elite que pensa, da geração pós tomada de atitude, por isso espreitamos nossas vidas na tela do computador. E pagamos o nosso preço.
Querem falar de conflito! Ouçam as vozes dos corredores de qualquer lugar. Estaremos lá, fechando portas.
Mas e o sonho de um país melhor... O sonho da juventude alegre e cheia de luz?
Sem comentários. Vou ler a sessão de esportes e ver no senado, quem ficou com quem e quem será a nova garota da playboy.
O assunto está se tornando grave, muito grave. Ah! Sim. Então, mudemos o foco. O homem é superior a tudo, até a si próprio – é capaz de jogar seu feto em um esgoto para que morra, depois, num caixãozinho branco, pequeno, enterrado em meia vala. Algumas crianças gostariam de ter animais como pais.
Mas isso ainda não me toca. Não sou cruel, pago minhas contas e gerencio meus conflitos. O Planeta é uma bola azul. Por enquanto...
Mas isso não define o desconforto. Incomodada ficava a tua vó! Agora os novos absorventes são eficazes. iPods revolucionários gravam a música do mundo, mas não sabem silenciar.
Quem precisa de silêncio? Ouço as vozes da minha cabeça, e elas me dizem que preciso ser igual.
Então que seja, na súmula, na símile, na imitação de todos e de nenhum. Meu estilo... Nenhum estilo!
Tudo que penso de forma fantástica já foi feito por algum grande pensador. Então me desafio a ser eu mesmo.
Nossas teorias estão ficando cada vez mais pessimistas, quase um agouro terrível.
Somos ainda a chamada ”geração coca-cola”. Que bom que fosse, pois o índice de alcoolismo cresce vertiginosamente entre os adolescentes.
Onde estão os revolucionários implacáveis e lutadores pelo bem comum? Em algum poema de um poeta degredado, esquecido, pois a leitura é difícil e a unanimidade é burra!
Não somos, nem queremos ser a voz da verdade. A verdade é uma teoria filosófica. Somos mensageiros dos nossos dramas, os mesmos comuns e mundanos, os mesmos que convivem com gente no café-da-manhã, na ausência do bom-dia, no diz-que-diz-que fofoqueiro, na falta da humildade ululante. Desculpem. Era pra ser um poema bonito com rimas emparelhadas, mas nosso tempo já não suporta frases feitas, nem discursos retóricos.
Fiquemos a olhar as imagens que talvez não signifiquem nada para alguns, mas para poucos... Pode suscitar reflexão. Então, cumprimos nosso dever de casa.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Era uma vez...

Frio, sol, brisas suaves, chás de muitos sabores e cores, sopa com pãozinho torrado, dia livre. O que mais posso querer?

Rabiscos de lembranças vêm à minha mente enquanto nela me perco ao olhar pela janela - a de sempre, a de tantas e tão diferentes recordações.

Os pés frios sendo aquecidos pelas pantufas. O cobertor aquece as pernas. Shakespeare e seus sonetos repousam no colo. Falta-me uma lareira, o cheiro de lenha queimada perfumando o ambiente. De qualquer forma, o quarto continua aconchegante.

Tão bom sonhar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Just a good night.

Um gramado, um salgueiro, uma noite estrelada e um violão. Sons que saem dos dedos se perdem em meio ao vazio. Amigos invisíveis em meio círculo balançando a cabeça conforme o ritmo da música. Lua cheia refletindo os últimos choros de luz. E a fogueira afugentando o sopro frio do inverno.

"O que não te matar
Vai te deixar uma cicatriz" [Marilyn Manson]

Eu estava aqui ouvindo The Sundrops e me lembrei de um noite - de um acampamento com vários grupos escoteiros. Simples amigos desconhecidos, sentados em volta da fogueira, cantando e tocando o que vinha à mente.
Ah! A noite! Tão cheia de magia, tão libertadora.

"À noite eles caminhariam
Até o amanhacer
A manhã é para dormir
Pelas ruas escuras eles vão buscando
Ver deus em seu próprio caminho
Guardando o tempo noturno para o seu pranto
Seu pranto...
Cantando la la la la la la ehh" [Coldplay]

domingo, 24 de janeiro de 2010

Outra visão.

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você." 
[Mario Quintana]

Aprendemos a mentir desde muito cedo. Quando crianças, aprendemos a mentir que não temos medo de monstros, por medo maior da reação de nossos pais. Um pouco mais velhos, na pré-adolescência, aprendemos a mentir que não gostamos de alguém, para não ser caçoado por nossos "amiguinhos". Passado mais algum tempo, já acostumados a mentir, atuamos o tempo todo, por qualquer motivo. Na fase adulta, estamos tão habituados que nem percebemos mais o que é mentira e o que é verdade.
Historinha à parte, o ponto ao qual quero chegar é o seguinte: nós estamos acostumados a mentir, a disfarçar. Maquiamos a realidade descaradamente para que ela se torne a nosso favor. Chefes, colegas, amigos, amores. Ninguém escapa das nossas mentiras, sejam grandes ou pequenas.
Qual o problema com a verdade? Por que não se pode viver sem a hipócrita condição de POSSUIR o outro? Ou podem e não queremos? Praticamente falando, ignorando o romantismo dos amantes, um casal é formado por duas pessoas. Claro, é bonitinho um casal que se ama ao ponto de sentir que são um só, não serei imbecil a ponto de dizer que não sinto o mesmo. O ponto é que precisamo de um tempo APENAS para nós mesmos. "Tomar uma cervejinha com os amigos? Ótimo, seja feliz e divirtam-se! Enquanto isso eu vou ao shopping com as amigas!" Mas aí entra outra questão [duas, na realidade]: o respeito e a confiança. Apesar da semelhança entre duas pessoas que estão num relacionamento, elas não necessitam ter exatamente as mesmas preferências. Depois de voltar para casa, podemos conversar como duas pessoas adultas sobre o que fizemos e o que vimos. Que tal a minha proposta?
Então, resumindo e relembrando, vamos confiar mais nos nossos parceiros [amigos, namorados, amantes, cônjuges]. O ciúme é apenas um tempero, quando em demasia, estraga a comida. Não minta que vai fazer uma coisa quando vai fazer outra. Não se aborreça porque seu parceiro vai fazer alguma coisa que você pode não gostar, a menos, claro, que te desrespeite. Um casal é formado por duas pessoas que tiveram criações diferentes e têm gostos diferentes. Vamos nos respeitar mais. :)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Doce ilusão.

Passar os dias sozinho tem sido um fato que eu tenho tirado muito proveito. Além dos estudos, claro, passei a me olhar mais por dentro, a tentar me compreender. Sentado na janela do meu quarto, pergunto-me se o que eu tenho feito é positivo para mim. Tive muito pensamentos ruins, atitudes piores. Cá estou, no mesmo lugar; não avancei nem regressei. Contudo, tanta coisa mudou de lá pra cá.

Estou conhecendo partes de mim que eu desconhecia. Partes excelentes... Em contrapartida, me dou conta do tempo que estou perdendo. O mundo girando, e eu aqui - fazendo cursinho.

Mentiria se dissesse que não me importo com a distância. Mentiria mais ainda se dissesse que não quero ver as pessoas que gosto, que amo. Simplesmente cansei de estar errado. Fiquei exausto de ser o brigão. Quero viver a minha vida feliz, sem mais tristezas. Vou ficar te esperando... E vivendo.

[Obrigado especial à Fabi, que tem conversado bastante comigo sobre nossas crises.]

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Acabei me perdendo, desculpem.

"O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família." (Mario Quintana)

Cerca de dez anos atrás, um mês levava meses para passar. Absolutamente nada acontecia. Não havia planos nem preocupações. Apenas nos preocupávamos com brincadeiras – ou com eventuais provas do ensino fundamental. O Natal? Esse sim era a maior expectativa do ano. Lembro como demorava até que as cigarras começassem a cantar!

Em meados de Novembro, olho para o calendário e percebo que não estamos mais em Maio! Hoje, o Natal já passou; estamos comemorando deus sabe o quê! Preocupações, estresses, dedicações... Tudo isso acelera o tempo, faz ele passar mais rápido. Enquanto o tempo passa, estamos preocupados em fazer tudo o pudermos – mesmo sendo raras as vezes em que realmente fazemos algo. Mudança do eixo de inclinação da Terra? Mudança na velocidade de rotação da Terra? Mudança no cosmo interior de cada um? Não, tudo isso é besteira. O que tem acontecido é que estamos sempre ocupados demais para ver o tempo passar. Não nos damos mais esse luxo. O Mundo não nos dá.

Quando mesmo foi que eu parei pra ver algo acontecer com calma? Qual foi a última flor que eu vi desabrochar? Nem mesmo as cigarras cantam mais.